Tipografia de alguns temas principais da filosofia moderna

Existem divergências acerca do início do Antropoceno. Na Revolução Neolítica e sua agricultura? Na detonação das bombas de Hiroshima e Nagasaki, quando houve o lançamento de sedimentos radioativos na estratigrafia e consolidou-se a visão da Terra Gaia e o niilismo sobre a insignificância cósmica da vida humana (algo que, no entanto, remonta a Copérnico)? No lançamento do Sputnik, quando houve uma dissociação entre a nossa percepção imediata e a visão astrofísica? O Antropoceno se estabeleceria quando o ser humano se tivesse tornado o agente principal dos processos geológicos, ou haveria um horizonte de resistência da própria vida não-humana (e não-vida (Gaia) resistindo (Chthuluceno)? As 2 afirmações se excluem?

Seria, ainda, o Antropoceno um Capitaloceno (com suas complexas questões de semiopolítica, biopoder, biopolítica, Homo Sacer, necropoder, tanatopolítica, neuropolítica, biossegurança, bioespectralidade, Capitalismo Mundial Integrado, tecnocapitalismo, modelos de sociedade, etc) ou Plantationoceno? Quais as diferenças e demarcações precisas entre Antropoceno e Holoceno? Há ruptura ou continuidade? Ou ambos?

Como articular um agenciamento político e revolução epistemológica sob matriz pós-capitalista, pós-colonial, antiestatal, horizontal, pós-racial, queer, pós-identitário, pós-civilização, anti-patriarcal, anti-ocularcêntrico, anti-logocêntrico, anti-falocêntrico, anti-fonocêntrico, acéfalo e interdisciplinar (ou transdisciplinar) de modo a romper com o especismo e antropocentrismo humanista? Como se daria essa superação do humanismo, pela via do pós-humanismo, anti-humanismo, transhumanismo ou inumanismo? Seriam excludentes entre si? E como se daria a unidade de espécies, de forma interespécie ou transespécie? E como? Como entender adequadamente as complexas questões de técnica e linguagem que tocam a questão? Quais lacunas historiográficas devemos preencher? Além disso, como fica o perspectivismo não-humano, evitando antropomorfizá-lo? Como lidar com suas multiplicidades? Como podemos aprender com os agentes não-humanos? Como podemos reformular a ontologia, especialmente à luz de todas essas questões? Como podemos reformular nossos conhecimentos de física, lógica e metafísica à luz do perspectivismo de escala?

O que podemos recuperar das cosmologias/metafísicas (além de debates extensos sobre a natureza e significado desses termos) ameríndias ou marginalizadas? O que podemos recuperar dos mitos, de leituras subversivas da narrativa ocidental, da história das bruxas, dos piratas, dos hereges, das guerreiras lésbicas, dos montanheses, da contracultura, etc? Como podemos demonstrar que a resistência queer, trans, antiestatal e antipatriarcal antecede e muito as nossas expectativas? Em resumo, como superar a modernidade (com seu Iluminismo, marxismo, existencialismo e fenomenologia, com pretensões cientificistas de objetividade e universalizada totalizantes), e talvez a pós-modernidade, uma vez que a pós-modernidade faz parte da modernidade? E essa superação da pós-modernidade se dá imanentemente através dos Eventos produzidos na borda (excesso) de todo processo social? E não seria a pós-modernidade uma transmodernidade?

Obviamente, essa descrição parcial deixou de lado os problemas próprios da metafísica, linguística, ética, antropologia, matemática, computação, filosofia da mente, neurociência, antropologia, cibernética, sexologia, geografia, história, economia, arte, filmografia, teatro, dança, contorcionismo, malabarismo, geologia, urbanismo, feminismo, teoria queer, naturismo, criminologia, vitimologia, psicologia e movimento pró-drogas contemporâneo.

Comments

Popular posts from this blog

Pós-pornografia: uma introdução

Materialismo libidinal, marxiano, ateu e nominalista do capítulo 1 d'O Anti-Édipo

O que defende Platão?