O que defende Platão?
Dialética enquanto automovimento e investigação dos pressupostos da lógica formal (eliminação de axiomas), doutrina da mistura (tudo é finito e infinito, relativo e absoluto, parte e todo) em uma exposição sistemática, doutrina da recordação/mandamento délfico (dissolução das barreiras sujeito/objeto,desencantando com a aporia ao invés de persuadir com a razão), procura de uma mútua irredutibilidade e traduzibilidade entre o discreto e o contínuo, interdependência entre aritmética e logística, teoria como explicitação da prática (primazia da sabedoria prática), números como entidades ontológicas qualitativas e heterogêneas (sem comutatividade, associatividade ou transitividade), legitimação de números fracionários, sensível e inteligível são 2 perspectivas de uma mesma sabedoria prática (não coisas com diferentes estatutos ontológicos), números enquanto estrutura relacional entre seres de uma mesma espécie (um e múltiplo são diferentes lentes), alteridade como alteridade de si própria (tanto causa da divisão quanto o próprio elo dos divíduos), compreensão de que toda relação é emergente,
número como predicado não de indivíduos mas de estruturas relacionais (colocando elementos heterogêneos em comunidade), anti-reducionismo (1 + 1 é divisível enquanto preserva sua indivisibilidade), crítica da antropomorfização dos números (eles não são coisas, são condições para a contagem, mantendo um nominalismo), a Forma quem contempla a própria Forma (a realidade como organismo vivo, resolvendo o problema da methexis, pois seu conteúdo é sua própria forma, noesis noeseos, como alogos e atopos, ou seja, lúdico), aversão ao logos (exclusão do falso: o não-ser não é simplesmente uma negação do Ser como diz Platão, mas um Ser com legitimidade própria, pois o não-Ser, na verdade, é diferença), Platão era sofista/erístico, cópias tanto como imagens quanto originais (repetição=diferença, valorizando tanto o artificial/técnico quanto o harmônico, habilitando a poesia, concebendo a tecnologia como neutra em si), ontologia plana (inferior/superior não existem absolutamente, pois participam um do outro, matando o pai logocêntrico, evocando o fim da filosofia), comunidade parcial entre repouso e movimento (que em Hegel se dá no movimento giratório),
o ser é um meio de articulação e não um ente predicável, preservação da teologia apofática ao falar do Um (anterior a todas as oposições), Formas como comunidade interna parcial de várias Formas horizontalmente e verticalmente e não hierarquias, escrita dialógica e autorrefutação, concepção da filosofia como erótica, valorização dos mitos/cotidiano para a filosofia extrair conteúdo, contingência = necessidade (a necessidade exclui a contingência mas depende dela, pois a contingência é algo central e não mero apêndice), Eros como dissolução de opostos, centralidade da metáfora e ironia para a filosofia (uma vez que a filosofia é incompleta), denúncia da ligação entre filosofia e poder/civilização, Eros como inconsciente (descontrole, traumas e vulnerabilidades de Sócrates), inutilidade da filosofia por buscar o todo sem ser expert em todas as áreas, filosofia como superação das verdades parciais,
Eros enquanto dissolução da distinção entre público e privado (nem a tirania de um e nem de outro), Eros como produção (Fedro, Lísis, sedução, retórica), filosofia/dialética/Eros enquanto técnica/rigor e poesia/cotidiano, ligação entre conhecimento e afeto, Eros como realização prática (belo, totalmente visível em imagens), amor como sentir-se em casa no Outro e se tratar como Outro mergulhando em si (autoconsciência), amor enquanto visão e comunicação, filosofia como união do belo e da sujeira, Eros como condição e causa, erro enquanto parte da verdade, não-confusão entre amante e Eros (equivalente à máquina celibatária de Deleuze), o Eros não proíbe, filósofo enquanto ciclo de morte e nascimento (dialética entre esquecimento, ou divisão, e lembrança), aceitação da limitação humana (o contrário seria conceber corpo e alma como separáveis), ascensão ao Eros como movimento não-linear (similar ao clinamen atomista de Epicuro), Eros como unidade entre desejo e razão (que em Deleuze seria esquizofrenia e sentido), as diferenças só são estabelecidas em movimento (não há uma imutabilidade do espírito contra uma mutabilidade da matéria, mas um automovimento do espírito contra um movimento mecânico da matéria),
“muitos todos” (círculo de círculos em Hegel), Eros como rompimento de normas convencionais, automovimento como princípio de todo movimento, universo que diferencia a si próprio nas formas (i.e, leis são emergentes), relações não-locais de ordem superior (se interage com a interação de outra coisa, de forma não-linear, e se retroalimentando)
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