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Não tenho espécie

Com a espécie que me fiz (da especificação) eu me fiz pinguim através do uso da LSD. Com a espécie que me fizeram (pelo specificandum) me fizeram máquina. Mas nunca fiz nem nunca fizeram. Fizeram-me fazer-me ponto de ônibus e fiz-lhos fazerem-se sensíveis. Da espécie que me tornei – ser humano – fiz viadagem, e em uma viagem fez-se bosta, do qual em um pequeno esgo(s)to consumi-me-me às paredes. Corto-lhem os pulsos em nome da espécie, mas a faca é o specificandum? Espécie, espécie, espécie – jatada no útero, jantam-lhe – ou janta-lho-se? –; a quem a espécie se reduziu? 

Gozei no de baixo (2026)

Acusaram-me de perversidade. Oh, que mal perverso que sou! Tão mal que me julgo por ser perverso. Também me julgo por não ser perverso. Sou perverso, mas ainda sou seletivo quanto aos animais que amo, e não tenho amor algum por baratas. Sou perverso, mas um dos meus maiores medos é usar NBOMe. Sou perverso, mas vivo meu dia-a-dia como um de vocês. Sou perverso, mas tenho vergonha de ficar nu. Sou perverso, mas meu prazer é apenas fálico. Sou perverso, mas me identifico primariamente com a mais brutal estrutura social que aflingiu toda a humanidade (o gênero masculino). Sou perverso, mas não consigo perdoar minha mãe ou meu pai. Sou perverso, mas tenho nojo a todos os kinks que eu não gosto. Sou perverso, mas sonho mais do que realizo. Sou perverso, mas quando penso na solidão, o suicídio sempre me espreita. Sou perverso, mas cumprimento o policial de muita boa vontade. Sou perverso, mas eu sou servidor público. Sou perverso, mas tenho um gosto culinário altamente requintado, que exclui...

Fragmentos Platônicos

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[...] No Parmênides, o Uno é apenas a ausência de Ser, enquanto o Outro lida com o Ser de forma muito mais complexa, sendo os Outros compreendidos em sua diferença e heterogeneidade, não somente diversidade repetitiva como no Uno. Como o Um é não-ser, a alteridade não é a alteridade do Um, mas a diferença interna entre os “Outros” – é uma multiplicidade absoluta, sem limites, inconsistência pura sem unidade, plethos (ao contrário de polia, multiplicidade consistente), inconcebível para toda a mente humana. Platão utiliza o argumento sofista de Górgias e argumenta que o Uno é o não-ser, onde o que não é tem uma forma mínima de Ser, e é nomeado para ser apresentável: o que Badiou (1988) chamou de teorema ontológico geral. É por onde o não-Ser vira Ser. Na nona hipótese, Platão então coloca o Um como fator de diferenciabilidade entre os outros, pois tudo emana do Um, e aqui vemos Platão tomar partido da multiplicidade como polia. Logo Platão perceberia que há uma diferença entre o Uno com...